Atinjo a minha plenitude na ausência da minha pessoa.

Eu sou um ninguém

Cuja morte alimenta o meu destino,

Mas sem caminho.


Vivo do que não tenho, respiro poeiras,

Míseros pontos que procuro unir

Mas como, sem sentir

O que está para vir?


Esvazio o meu consciente

De sentido, de propósito,

De tudo o que pesa.


Anulo o meu ser,

Resisto a ter.

Morro para viver.


3.5.26

Depois de ti, só sei ninguém.

Não consigo conceber a ideia de um outro amor

Tão belo e intenso 

Quanto este que ofereceste.


Do teu silêncio surge a emoção 

De uma devoção 

Guiado pela imaginação,

Apontada a tudo o que eu desconheço.


Amar é confiar e acreditar 

No invisível que nos une. 

É a alma que alimenta.


Não compro amores,

Não possuo sentimentos:

São somente eles que me inventam.


8.5.26

Quem disse que o Amor é racional?

Amar é experimentar a mais agridoce das loucuras!

Oferecer segurança que não a nós??

Atravessar diariamente o cordel da boa esperança??


Quero cá saber da cor dos teus olhos,

Se te estendes muito ou pouco,

Se te curvas para a esquerda ou para a direita.

Na realidade, tu és perfeita!


É pensar tanto na esperança 

Que uma fada espreite ao teu ouvido

E segrede em tua voz meus sentimentos.


É escutar, abrir-me tanto ao mundo

Que o sinta todo no meu coração,

Afinal, quão tão boa é a ilusão?


8.5.26